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quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

1ª cirurgia: implantação do 1º catéter

 A equipe médica decidiu pela implantação de um Porth-a-Cath , é um tipo de cateter com um dispositivo de acesso venoso central totalmente implantado, inserido cirurgicamente por baixo da pele. É formado por dois componentes: o reservatório (que parece um tamborzinho) e o cateter propriamente dito (geralmente feito de silicone).é muito comum no tratamento do câncer, é indicado para pacientes que irão submeter-se a quimioterapia prolongada. Algumas quimioterapias são bem perigosas se forem infundidas em veias dos braços ou pernas. Temos ainda que considerar que alguns pacientes não podem receber soro ou quimioterapia no braço comprometido. Além disso, diferentemente de alguns tipos de soro, a quimioterapia nunca poderá ser infundida em veias da cabeça, dos pés ou no meio do braço. Quando a criança  precisar realizar um protocolo de quimioterapia mais agressivo,como foi o caso da Bia,  a implantação do cateter será considerada condição fundamental para realizar o tratamento. Além da comodidade que ele gera para o paciente, a implantação do cateter dá segurança na instalação das medicações (principalmente quimioterapia), evita as complicações em decorrência do extravasamento de quimioterápico, evita flebites devido a excessivas punções periféricas e pode ser utilizado para coleta de sangue (quando está puncionado), ou seja, o cateter é um "conforto" para o paciente.
Após essa decisão da equipe médica, foi solicitado ao plano de saúde (AMIL) a liberação do cateter,porém foi negado ( há 14 anos atrás os planos detinham o poder que hoje é limitado pela justiça).
 Putz! Negado! E agora??? Começamos a busca de orçamentos de cateteres do tipo solicitado pela equipe, mas foi difícil, a Bia era pequena, necessitava de uma catéter "minúsculo" devido o tamanho de sua caixa torácica ( onde seria implantado) e descobrimos que só existia um modelo importado que se adequava a ela. Então começamos novas buscas, e descobrimos que era bem carinho, cerca de R$2.000,00 ( estamos falando de 14 anos atrás, hoje custa cerca de R$600,00) e não esbarramos só na barreira do valor não, tínhamos que encontrar onde comprar no Brasil e de forma rápida, pois a Bia estava em condições ideais de saúde para a realização da cirurgia. Foram 5 dias de desespero e sufoco e sem resultados positivos. Até que no dia 1º de novembro/1999 recebi uma ligação quase que do céu :) era a ligação da Cristina, secretária do médico da Bia, pedindo que na 4a feira após o feriado eu fosse logo pela manhã no consultório para buscar uma "encomenda" deixada para mim pelo Dr. Fernando.
Então no dia marcado fui ao consultório e recebi uma caixa embalada por papel pardo, sem entender, fui abrindo e ao retirar todo papel pardo, continuei sem entender nada, era uma caixa com um enorme desenho vermelho na frente ( similar a um coração) e com várias palavras em inglês e que eu não tinha a mínima noção do que siginificava rsrs mas graças a Deus a Cris acabou com o mistério e falou: é o cateter pra Bia, um presente do Dr. Fernando pra ela.
Putz! 
Putz! Putz! Putz! Putz! Putz! Putz! Mil vezes PUTZZZZZZ! Que alegria! Obrigada Senhor!!!
Comecei a chorar, mas um choro de alegria,sem palavras para agradecer tamanho gesto de bondade, compaixão, solidariedade, então guardei o caixa na minha bolsa e sai de lá como se carregasse o maior tesouro do mundo!
Então no dia 05/11/1999 a Bia foi internada na URPE para realizar a cirurgia de implantação do catéter. Realizou a 7ª transfusão sanguínea e as 19h a cirurgia iniciou. As 21:45 ela saiu do centro cirúrgico, passou a noite enjoadinha devido o efeito da anestesia, mas tudo sob controle de Deus.

 

Enquanto tentava fazer tudo pela minha força, mais uma vez Ele mostrou que estava no controle!

1 mês de diagnóstico: minha vida nunca mais foi a mesma!!!

Em 16/10/1999 completou 1 mês que ouvi a terrível notícia: "sua filha tem câncer". Parece que essa frase ecoava em minha mente sem parar.
Foi um mês de mudanças para sempre, um mês de incertezas, de choro, mas de alegria também, por tê-la por mais um mês.
Nesse período recebemos muitas visitas de familiares e amigos mais íntimos dispostos a ajudar verdadeiramente, e toda ajuda é sempre bem vinda né :)
A Bia estava internada em isolamento desde 09/10 e recebeu alta somente em 19/10, essa foi a 1ª intercorrência do tratamento ( internação de emergência) mas que ela tirou de letra e eu fiquei com coração na mão.
As vezes achamos que 30 dias é pouco tempo, que passa rápido, mas eu aprendi nesses 30 dias após o diagnóstico, que tudo é variável, que nada é totalmente controlável e que a última palavra é de Deus!!!