Os primeiro 22 meses de vida da Bia foram como de qualquer criança da idade dela, de forma saudável e alegre! Mas com 1 ano e 11 meses de vida, no início de setembro/1999, ela começou com uma febre sem motivo aparente, levei-a até Clínica São Lucas ( na época morávamos em Macaé) e de acordo com a pediatra plantonista, não havia nenhum foco infeccioso ou viral que justificasse a febre persistente, no entanto decidiu interná-la para realizar exames mais específicos e mesmo com hemograma apontando uma queda significativa no hematócrito ( 20%) a pediatra resolveu considerar que fosse um erro laboratorial e iniciou um esquema de antibioticoterapia, mesmo sem vestígios de foco infeccioso, porém na época eu ainda não tinha feito faculdade, não era Enfermeira e não tinha conhecimento técnico algum, então o que a médica falasse pra mim era uma ordem. Era uma sexta-feira, foi o 1º dia de internação. No dia seguinte, um sábado pela manhã, ao sair no corredor do hospital, me deparo com a pediatra da Bia, a que fazia o acompanhamento dela desde 1 mês de vida, Drª Cristina Alvariz, e após ver os resultados dos exames ( aqueles que a pediatra plantonista preferiu considerar erro laboratorial) ela conversou comigo e afirmou que a Bia precisava ser transferida para o Rio de Janeiro urgentemente, pois Macaé não tinha suporte de tratamento ou diagnóstico e nos encaminhou para um hematologista conceituado.
Fiquei meio atordoada, mas acatei a decisão, minha mãe estava em Macaé visitando a Bia, então ela assinou a alta "a revelia" e levou a Bia pro Rio e logo marcou a consulta com Dr. Carmello ( hematologista) para segunda-feira seguinte.
Enfim chegou a 2ª feira, a Bia foi ao consultório particular do hematologista, todos estávamos assustados, mas fomos acolhidos pelo olhar amigo do Dr.Carmello, logo ele realizou uma punção lombar e pediu mais alguns exames sanguíneos e nos mandou pra casa e pediu que aguardássemos ele ligar.
A Bia estava debilitada, abatida, mas ainda assim mantinha um sorriso alegre e contagiante no rostinho lindo dela!!!
Em menos de 24h ele ligou e as notícias não eram boas, ele pediu pra vê-la urgentemente e novamente iria realizar uma punção lombar, então fomos em caráter emergencial ao encontro dele no Hospital da Polícia Militar (a Bia não tinha direito a este hospital, mas ele estava de plantão lá naquele dia) e nova punção foi realizada, sem anestésicos foi doloroso demais ver o sofrimento da minha filha, ela fazendo força pra se soltar dos meus braços e meu corpo debruçado sobre ela, enquanto o médico colhia o exame. Logo em seguida ele nos encaminhou pra internação na Pronto-Baby e seria iniciado um esquema medicamentoso a base de "corticóides", pois ele já sabia que ela estava com deficiência na medula óssea, mas não sabia ainda o motivo, só os exames revelariam.
Eu jamais poderia imaginar o estava por vir...

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